domingo, 11 de novembro de 2012

A CHURRASCARIA DO GILDO


Com o declínio dos programas de radio ao vivo em 1961/1962, o Gildo de Freitas resolve largar a profissão de Trovador e resolve criar porcos. Mas como seu talento era para a música e repentismo e não para criação de suínos em seguida larga a vida de criador de porco e volta a lidar com trova e músicas. A música Cobra Sucuri de sua autoria e que Teixeirinha gravou em um Lp de 1963 “Teixeirinha Interpreta músicas de Amigos” chama a atenção do produtor da gravadora de nome Pereira e o Gildo é convidado a gravar um disco.

Em 1964 viaja a São Paulo para gravar o primeiro Lp, “Gildo de Freitas o Trovador dos Pampas” com clássicos como Acordeona , Baile do Chico Torto, Historia dos Passarinhos e que jeito têm a Mariana. Alias antes de provocar o Teixeirinha, Gildo com a música Que Jeito têm a Mariana, provocou Pedro Raimundo.
Já em 1965 é lançado o segundo Lp “O Trovador dos Pampas -Vida de Camponês” entre outras músicas estava Baile de Respeito que é a primeira música gravada pelo Gildo em provocação ao Teixeirinha.
Mantendo o ritmo é lançado o terceiro Lp Desafio do Padre e o Trovadoronde Gildo trovou com o então padre Rubens Pillar( Que no fim dos anos 60 inicio de 70, largou a batina e casou, e foi Prefeito de Alegrete por 3 mandatos, ex deputado estadual, falecido recentemente), ainda tinha outros sucessos como definição dos Grito e também a presença de uma resposta ao Teixeirinha.

Gildo estava então atingindo o sucesso, muitas viagens mas volta e meia precisava ficar hospitalizado devido aos problemas nas pernas e no pulmão.

Em 1968 chega o quarto Lp “Gildo de Freitas E Sua Caravana” e segue as provocações e respostas ao Teixeirinha.

Em 1969 é lançado o quinto Lp “De Estância em Estância” com mais uma provocação ao Teixeirinha “Resposta da Milonga” uma provocação ao sucesso do Teixeirinha que era “Milonga da Fronteira” e a briga estava chegando ao auge e o sucesso dessa tática era evidente pois até hoje essas trocas de versos gera repercussões.

A década de 70 marca o auge de Gildo de Freitas e as brigas com Teixeirinha começam a esquentar não mais sendo tática para vender discos e sim provocações de verdade. Entre 1970 e 1980 ele grava mais oitos Lps entre ele sucessos como o Ídolo e Rei do Improviso. Mas seguem as complicações de saúde e até capa de disco ele fotografou em Hospital e reza a lenda que até Baile fez para a doentada animando o Hospital.
Em 1977/1978 é inaugurada a churrascaria Gildo de Freitas em Viamão(foto) e nesse tempo ainda existia o Rodeio Gildo de Freitas onde os peões tinha que provar que eram bons para ficar em cima dos cavalos “velhacos” como o Gildo mesmo dizia.
Em 1981 ele grava o lp Rei dos Trovadores e segue os contratempos com a saúde a briga com Teixeirinha é amenizada um pouco mas não impediu a “Resposta da Adaga de S”.

Em 1982 são realizadas a ultima gravação, trata-se do Lp “Figueira Amiga” pela
continental com a ultima provocação ao Teixeirinha com a música “Que negrinha Boa” e claro com a música Figueira Amiga. Em novembro de 1982 é levado aos estúdios da RBS TV por Antonio Augusto Fagundes e Ivan Trilha para sua ultima aparição pública em um Galpão Crioulo, além do apresentador Nico Fagundes estava as gauchinhas missioneiras e os Serranos. Foi a ultima oportunidade de ver Gildo de Freitas, sua última apresentação e talvez a única onde se viu ele debilitado e conformado.

Mas sua trova final foi em São Borja em data e local desconhecido para mim. Essa trova ficou conhecida como “Mensagem Final” que está em um Cd de nome “Rodeio Gildo de Freitas – Mensagem Final” da Usa discos lançado em 2001, nessa apresentação fez versos em uma apresentação de mais de oito minutos praticamente se despedindo. Fique com um trecho da música:

....eu não vim pra essa terra
Pra dar pesar pra ninguém
Eu queria cantar sorrindo
E ver vocês sorrindo também....

...Eu vou parar não roubo espaço
Porque têm outros valores
Que são assim que nem eu
Nasceram para ser cantores.

Morreu em 4 de dezembro de 1982 e foi sepultado dia 6 dezembro em Viamão no cemitério velho.

Dia 4 de Dezembro que também foi a data da morte de Teixeirinha em 1985 foi declarado pela assembléia legislativa do Rio Grande do Sul projeto aprovado em 1989 de autoria do deputadoJoaquim Moncks. A lei estadual 8814, de 10 de janeiro de 1989, essa lei fixa o 04 de dezembro DIA DO POETA REPENTISTA GAÚCHO e do ARTISTA REGIONAL GAÚCHO. E seus patronos Gildo de Freitas e Teixeirinha.

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